quinta-feira, 30 de julho de 2009

O ALÉM

O ALÉM – Espedito Lima O além é o avesso daquilo que não tem frente e o lado oposto que fica atrás O vaso quebrado que se lança ao lixo e a água fria que banha o inverno O porvir de um sonho que alguém viu e o olhar de um canto que nada soa O ouvi da aurora que tudo faz e a terra que dela brota num balançar Acalentando a tristeza que se foi e o amargo do seu falar O além fica distante do que não se vê e próximo à porta do horizonte que não se abre Não anima a coragem do viver nem ouve o gorjear de um pássaro que voa Buscando seu ninho para acasalar a valsa que ecoa e nunca lembra o seu parar Não leva consigo a esperança do amanhã nem cobra a volta do seu ficar E esquece o rumo da solidão dando as mãos ao pranto que vai chorar Ele anima o ar que sopra sobre si e ajuda a chegada da saudade Sustentando o pomar da natureza que esbanja a formosura da relva Que lança o florir da primavera e agasalha o rosto do mar Vigiando as ondas que bailam sem cessar e encobre a brisa do sol Que encoraja a força do viver e desenha a alma do bem querer O além é a virtude da mansidão que leva a criatura a meditar É o repouso dum cansaço que levita na labuta e fortalece o prazer do esperar Afrontando o peso da solidão e a busca do luar que vive só Para alcançar a vontade de partir e abrir o túnel do abraçar E vesti o hino que nina uma criança a enganando para dormir O além é o fim de um início que volta ao presente e brigou com o passado Arranhou o escuro do ontem que buscou o amor para si Foi correndo ao encontro do universo que lhe cobriu de paz Conquistou o prêmio do coração que suspira arrancando do âmago o fôlego que abortou a contenda da disputa que enfrentou e fulminou a ira

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